O síndico liga às 22h: o portão da garagem travou aberto e a rua está cheia. No grupo, já tem morador dizendo que viu gente estranha entrando. Amanhã cedo tem troca de turno e o zelador não sabe por onde começar. Se a sua empresa cuida de manutenção de condomínio, você já viveu algo assim. Dá para evitar a maior parte desses incêndios do dia a dia com um plano de preventiva simples e com os chamados organizados em ordem de serviço.
O que é preventiva no condomínio e por que ela reduz chamado urgente
Preventiva é rotina. É olhar, testar e ajustar antes de quebrar. Em condomínio, os alvos mais comuns são:
- Portões e clausuras: lubrificação, ajuste de fim de curso, teste de botoeiras e controles.
- Bombas e pressurizadores: ruído anormal, aquecimento, vazamento, inversor sinalizando erro.
- Quadros elétricos das áreas comuns: terminais, disjuntores, DRs, identificação de circuitos.
- Iluminação de áreas comuns e de emergência: lâmpadas, drivers, autonomia das luminárias.
- Interfonia e porteiro eletrônico: fonte, ligação entre portaria e unidades, chamadores.
- CFTV e gravação: câmeras ativas, foco, IR à noite, disco gravando, tempo de retenção.
- SPDA/aterramento e itens de segurança: inspeção visual e documentação com empresa habilitada.
- Gerador e nobreaks, quando existem: partida, níveis, alarmes, carga.
Quando isso entra no calendário, o número de chamados fora de hora cai. Você passa a programar visita e peça, e para de correr atrás do prejuízo. O síndico enxerga o trabalho porque cada visita vira uma OS registrada e com laudo simples.
Calendário básico de preventiva por sistema
Use como ponto de partida e ajuste à realidade do prédio. Alguns itens exigem profissional habilitado ou empresa especializada; combine tudo com o responsável técnico do condomínio.
Semanal
- Casa de bombas: ruído, vibração, vazamento, funcionamento alternado, pressurização.
- Portão de garagem e clausura: teste de abertura/fechamento, travas e sensores.
- Iluminação comum: ronda noturna rápida para identificar pontos apagados.
Mensal
- Quadros elétricos das áreas comuns: inspeção visual, limpeza leve, identificação de circuitos.
- Teste dos DRs dos quadros que os possuem (botão de teste).
- CFTV: checagem de câmeras, gravação, relógio e retenção.
- Interfonia: teste por amostragem de chamadas entre portaria e unidades.
- Portões: lubrificação leve conforme manual do fabricante.
Trimestral
- Reaperto por amostragem de bornes em quadros (com eletricista qualificado e procedimento seguro).
- Inspeção de aterramento e conectores aparentes.
- Teste de gerador em carga simulada, quando houver.
Semestral / Anual
- Limpeza e desinfecção de reservatórios (empresa especializada, conforme regra local).
- Inspeção e relatório do SPDA com profissional habilitado.
- Revisão completa de portões (correntes, roldanas, fim de curso) conforme fabricante.
O ganho de fazer isso em OS é simples: cada visita tem checklist, assinatura/validação do síndico e registro fotográfico. Se um item voltar a dar problema, você prova o que foi feito e quando.
Como organizar os chamados do condomínio sem perder nada
Deixe um canal único de abertura de chamados (ex.: um número de WhatsApp da sua empresa) e uma regra simples afixada no quadro do condomínio: como pedir, o que informar e quando é urgência. Quando chegar o pedido, abra uma ordem de serviço na hora, com:
- Origem: área comum ou unidade. Se for unidade, número do apartamento e bloco.
- Local e sistema: garagem/portão, casa de bombas, térreo/quadro QDG, cobertura/SPDA, etc.
- Descrição clara: o que acontece, desde quando, se já ocorreu antes.
- Fotos/vídeo: ajudam a priorizar antes de ir.
- Prioridade: urgente (risco elétrico, água vazando, acesso/segurança), alta (impacto relevante sem risco), normal (pode programar).
Com um número único e cada pedido virando uma OS, ninguém some no grupo. Você enxerga o quadro do dia: o que está em análise, aguardando peça, programado ou pronto para validação.
Como definir prioridade sem briga
Use uma régua combinada com o síndico e divulgue aos moradores. Exemplo:
- Segurança e risco primeiro: curto-circuito, cheiro de queimado, portão travado aberto, porta corta-fogo com problema, vazamento ativo.
- Serviços essenciais na sequência: iluminação de área comum apagada, interfone geral mudo, bomba sem alternância.
- Conforto e estética depois: pintura, pequenos ajustes visuais, melhorias.
Na OS, marque a prioridade. Isso vira a ordem da sua equipe e também ajuda a explicar ao morador por que um assunto entrou na frente de outro.
Peça, compra e aprovação: combine o teto e padronize o orçamento
Condomínio tem regra própria de aprovação de gasto. Combine por escrito um teto de aprovação direta pelo síndico e o que exige autorização da administradora ou assembleia. No orçamento, seja direto:
- Descreva o serviço e a causa provável.
- Separe mão de obra e peças.
- Traga prazo de execução e prazo de entrega da peça, quando houver.
- Validade do orçamento e condição de pagamento.
Quando o síndico aprovar, a OS muda de situação para aprovada e segue para execução ou compra de peça. Se a peça atrasar, registre o novo prazo na própria OS. Transparência evita retrabalho e cobrança indevida.
Garantia e retorno: escreva na OS
Garantia é o que mais gera atrito quando não está escrito. No condomínio, o morador às vezes pede ajuste por conta própria. Evite confusão:
- Registre na OS o prazo de garantia da mão de obra e das peças.
- Descreva o que a garantia cobre (e o que não cobre, como mau uso ou intervenção de terceiro).
- Guarde a nota da peça junto à OS.
Com isso, se o mesmo problema voltar em poucos dias, você consulta o histórico e decide rápido se é retorno em garantia ou novo chamado.
Indicadores que mostram se a preventiva está funcionando
- Chamados por mês por sistema: portão, CFTV, bombas, interfone. Se um deles disparar, reveja a preventiva dele.
- Tempo médio de atendimento: abertura → visita → conclusão.
- Recorrência: quantos chamados do mesmo ponto voltam em até 30 dias.
- Peça com mais troca: ajuda a negociar com fornecedor.
- Percentual de urgências: a meta é cair mês a mês.
Esses números saem do próprio registro das ordens de serviço. Não precisa relatório sofisticado: com OS aberta e fechada do jeito certo, você já enxerga o que importa.
Como fazer isso no InforOS (passo a passo)
O caminho abaixo é direto e funciona para equipes pequenas e prédios médios.
- Abra uma OS para cada chamado, com a área e o sistema no título (ex.: “Garagem — Portão da entrada travado”). No corpo, descreva local, sintoma e anexe fotos.
- Use situações simples: aberta, em análise, aguardando aprovação, aprovada, aguardando peça, programada, concluída, validada pelo síndico.
- Padronize um checklist por sistema (ex.: portão, bombas, quadros). Na visita de preventiva, marque os itens e gere um laudo simples no próprio texto da OS.
- Quando precisar de peça, registre o orçamento na OS. Ao aprovar, mantenha o histórico com os prazos e anexos.
- Compartilhe o resumo da OS com o síndico por mensagem, com número, descrição e prazo. Quando ele devolver o ok, anexe a confirmação à OS.
Se você ainda trabalha em caderno e planilha, experimente começar abrindo as próximas 5 ordens de serviço no InforOS. Em uma semana você já vai ver o quadro do condomínio organizado por prioridade e prazo.
Modelos e leitura rápida para aprofundar
- Ferramenta gratuita: gere sua ordem de serviço em minutos nesta página.
- Visita técnica com checklist: veja um exemplo aplicado em ar-condicionado neste artigo.
- Serviço avulso de elétrica: como abrir, executar e cobrar sem calote passo a passo.
Conclusão
Condomínio sem preventivo vira fábrica de chamado urgente. Com calendário simples e cada pedido virando uma OS com checklist, você ganha previsibilidade, reduz custo corretivo e entrega sossego ao síndico. Comece hoje: pegue o modelo de OS gratuito, abra as próximas 5 ordens e rode a primeira rodada de preventiva com registro e foto. Em poucas semanas, o prédio inteiro percebe a diferença.

